30 de novembro de 2011

Bon Vivant

Estou aqui para contar uma história tão interessante quanto todas as outras possíveis histórias que você ouviu ao longo desse dia ou vai ouvir. Então eu só preciso de alguns poucos minutos seus, continue sentado ai e eu vou contar como minha vida virou de cabeça para baixo, como eu virei bon vivant por aqui.


Eu nasci e cresci em um lugar longe daqui, passava os meus dias relaxando e curtindo com a galera em nosso playground, tudo numa boa. Não poderia ser melhor.

Fora da escola era de costume curtir por ai, ficar de bobeira... E eu não deixava passar, comparecia sempre. Pena que nem todos estavam lá pra isso, sabe como é, tem gente que procura confusão. Não poderia deixar que descompromissados com a curtição melassem com o nosso lugar. Infelizmente arranjei uma briga, fora das proporções. Por mim estava beleza, mas minha mãe se assustou. Implorei para ficar, para que ela relevasse... Não achei que seria tão perigoso assim, era só um bando de babacas querendo meu sangue, já vi isso acontecer antes. Fiz o que eu podia para não largar a minha terra natal e continuar com os meus amigos numa boa, entretanto, ela não quis arriscar. Fez as minhas malas e me chutou. Passagem na mão, voo no mesmo dia... E o serviço de bordo nem era ruim, gostei muito, pensei: É assim que o povo de lá vive? Talvez seja legal. Quando percebi, estava com outros parentes, aqui. E nem pude reclamar que os pássaros daqui não gorjeiam como lá, afinal, eram tenores melhores. Logo quando cheguei, ainda no aeroporto, tinha um homem com cara de policial me esperando. Parecia estranho, sai de lá rápido como um raio, afinal, minha mãe era imprevisível.

Chamei um táxi. Tinha dados no retrovisor, placa estranha. Dei o endereço e fomos. Logo no começo da rua já procurava pelo número, mas não estava encontrando. Pulei pelo sete ou oito e falei: Ai, cara, te vejo depois. Olhei para a porta da frente e pensei: Cheguei. Ao meu novo lar. Espero que eles tenham preparado o sofá, para o bon vivant da Mooca.



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